quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CRACK


Coloquei no Blog um selinho da campanha veiculada na RBS: "CRACK , nem pensar", entrei nesse linck no site da Zero hora, porque esse assunto tem me deixado muito preocupado.

Sou professor e trabalho com alunos na sua maioria entre 18 e 30 anos. Entre eles, tenho vários que são ex-usuários de Crack.

No tempo em que éramos adolescentes a preocupação era com a Maconha, bons tempos, todos os usuários de maconha estão bem vivos saudáveis e muitos ainda usam a erva. Não estou incentivando o uso, e sim comparando o poder destrutivo das drogas, todas fazem mal.

Com a PEDRA não é bem assim. Os relatos que ouço dos alunos são apavorantes. Vou citar alguns sem revelar nomes:


A aula havia terminado, eu estava sentado em minha mesa, quando levantei a cabeça, havia um aluno parado à frente da mesa. Ele falou que iria chegar atrazado, pois havia saído da cadeia e estava cumprindo a pena, prestando serviços a comunidade.
Eu perguntei porque ele havia sido preso.
Disse: Esfaqueei um homem.
Indaguei: Porque?
Porque ele falou bobagens para minha minha irmã.
Mas ele a violentou? Bateu nela? Se não fez isso, não era motivo.
Eu sei professor, mas eu estava no efeito da pedra.

Ai começou a falar:
Comecei a usar a pedra, eu trabalhava, era casado, tinha uma vida normal..
Mas a pedra me consumiu, fui demitido, pois faltava o serviço para ficar fumando.
peguei a indenização R$ 3.500,00 e fumei tudo. 3 dias sem comer, sem dormir.
O dinheiro acabou, comecei a roubar para comprar a droga.
Ai fui ficando tão fraco e perturbado que nem roubar eu conseguia mais.
Perguntei: Então o que fez?
Um amigo começou a me dar.
O que tu dava em troca.
Eu tinha que tranzar com ele. A que ponto chega um homem.
Mas como conseguiu te livrar da Pedra? perguntei.
Esse amigo estava fumando comigo, quando chegou o traficante, ele devia R$ 50,00. O traficante gritou cobrando, ele não tinha e levou um tiro na cabeça, caiu em cima de mim e morreu.
Eu, depois disso, nunca mais usei a pedra.



Cheguei na escola segunda-feira e como de costume, perguntei aos alunos: Como foi o final de semana?
Neste curso dou aula para pessoas entre 20 e 50 anos.

Uma senhora à minha frente, disse: foi péssimo, meu neto nasceu na sexta-feira.
Eu: Mas o que ouve?
A mulher do meu filho é usuária de pedra. O guri nasceu de 6 meses, cheio de problemas, saia sangue pelos poros, com sopro no coração e ainda com Síndrome de Down.
Fiquei sem palavras.
Professor, a mulher saiu do hospital e hoje foi até a casa da minha irmã, pedir o dinheiro da passagem, para Porto Alegre (Moram no Imbé), falou que ia cuidar do Bebê, que ficou na incubadora.
Ela pegou o dinheiro da passagem e do lanche, comprou tudo de pedra e fumou, deixando o filho doente sozinho no hospital.
Continuei sem palavras.


Um outro aluno disse: Professor parei de fumar a pedra. Fumei 3 dias seguidos, até que enfartei, quando acordei na UTI, estava cheio de fios, tinha tido 3 paradas cardíacas, nunca mais fumei a pedra.
O aluno tem 22 anos.

O poder dessa droga é incrível, as pessoas perdem a identidade, a noção de prioridade, viram praticamente Zumbis.

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