sábado, 3 de abril de 2010

Mate Amargo


Entre os símbolos da tradição gaúcha, com os quais discordo de alguns, nem tanto de outros, um dos que acho mais legais é o velho e bom hábito de tomar chimarrão.

Aquelas manhãs de folga, escutando uma boa música, ficam mais gostosas ao sabor do amargo.

Ou aquele final de tarde, uma conversa jogada fora com o mate circulando.
Domingo, antes do churrasco e antes também do início dos trabalhos etílicos, um bom mate amargo cai bem.

Agora, depois da pesquisa feita no Centro Universitário da FEEVALE em Novo Hamburgo, que comprova as propriedades terapêuticas da erva, fica ainda mais interessante esse nosso hábito gauchesco.

Os resultados foram publicados em Zero Hora:



Saúde 01/04/2010 10h33min

Pesquisa diz que chimarrão pode reduzir taxa de colesterol e de triglicerídios

Biomédica de Novo Hamburgo defende os benefícios do mate
LETÍCIA BARBIERI


Apreciadores do chimarrão ganharam um novo argumento para defendê-lo na polêmica científica sobre os efeitos da bebida. Pesquisadores do Centro Universitário Feevale, de Novo Hamburgo, atestam que o mate, além de estimulante, faz bem ao coração.
O trabalho desenvolvido pela biomédica Rejane Giacomelli Tavares aponta que o uso de cem gramas de erva-mate por dia pode causar a diminuição de 29% nos níveis do colesterol e de 62% nos triglicerídios. Segundo a pesquisadora, quanto mais altos esses níveis, maior o risco de doenças cardíacas. A análise foi feita em ratos. Cobaias tratadas com um extrato semelhante ao chimarrão do gaúcho tiveram os indicadores reduzidos.
– Nós sabíamos que, quimicamente, a erva-mate é muito parecida com o chá verde que tem esses efeitos de diminuição. Queríamos saber se a erva-mate também tinha. Por terem uma semelhança química, elas poderiam mesmo ter essa relação – relata a pesquisadora.
Rejane considera a cultura gaúcha como um sinal de que a erva-mate funciona mesmo.
– O gaúcho, mesmo com o hábito da carne gorda do churrasco, não tem o índice tão alto de triglicerídios. Pode ter aí a influência do chimarrão – diz.
A pesquisadora alerta que para quem tem uma dieta normal o efeito pode não ser tão marcante. Ele foi feito direcionado a uma dieta específica. A eficácia também pode não ser a mesma para pacientes com altos índices de colesterol por disfunção genética e com uso controlado de medicação.
Com cuidado redobrado com a saúde após um susto em 2005, o comerciário Hélio Dirceu Fernandes, 62 anos, saúda os efeitos positivos da erva-mate que o acompanha a vida inteira.
– Tenho o chimarrão como um companheiro. Se apontam que ele é saudável, melhor ainda. Ele é meu vício. Se ele não me ajuda, pelo menos nunca me prejudicou – diverte-se.
Como foi o estudo:: A análise foi feita em ratos de laboratório.:: Durante um período de 30 dias, uma parte das cobaias consumiu uma dieta rica em gordura, açúcar e carboidrato, na base do chocolate, amendoim, bolacha e leite integral, misturada na ração padrão deles, enquanto um segundo grupo seguia sua alimentação normal.:: Passados os 30 dias, os animais começaram a receber um extrato, via oral, semelhante ao chimarrão dos gaúchos, com erva-mate e água a uma temperatura de 70°C a 75°C.:: Os animais foram tratados com extrato por 18 dias e em seguida tiveram as taxas de colesterol e triglicerídios medidas.:: Quando chegou o resultado, os pesquisadores fizeram a constatação: os indicadores haviam diminuído.

ZERO HORA

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